Il senso delle cose

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Canonização da Democracia

  • Vatican, Apr. 26, 2004 (CWNews.com) - Unless it is constructed on an ethical basis, democracy is likely to undergo erosion, and eventually to disappear," Pope John Paul II warned a group of Italian visitors on April 26.

  • Democracia sin valores se convierte en totalitarismo: Papa
    por: Agencia
    Fuente: NOTIMEX
    La acción gubernamental tiene que estar por encima del interés particular, dice al recibir al embajador de Paraguay ante el Vati
    CIUDAD DEL VATICANO, Vaticano, dic. 9, 2003.- Una democracia sin valores se convierte con facilidad en un totalitarismo visible o encubierto, afirmó este martes el Papa Juan Pablo II al recibir al nuevo embajador de Paraguay ante El Vaticano, Marcos Martínez Mendieta.

  • "Permissividade"

    Mas um outro totalitarismo ameaçaria a Humanidade: o "antievangelho" --que se disfarça, segundo o papa, de democracia.
    Ele acusa a sociedade contemporânea ocidental de propagar a idéia de que é preciso viver como se Deus não existisse.
    No entanto, assim, as pessoas perderiam as coordenadas sobre o bem e o mal, de acordo com o papa.
    São essas correntes que difundem, na opinião de João Paulo 2º, a permissividade moral que ameaça a família com o divórcio, o amor livre, o aborto, a eutanásia, a manipulação genética e o casamento de homossexuais.

    (in 'Papa compara legalização do aborto a apoio ao nazismo', ASSIMINA VLAHOU, da BBC Brasil, em Roma)



Hoje li essa notícia sobre o novo livro do Papa, "Memória e Identidade", em que, segundo o autor do artigo, ele adverte quanto a "Canonização da Democracia". No artigo, há trechos do livro que ilustram a interpretação do jornalista.
Resolvi escrever esse post para ver de que lado estou. Escolhi esses três trechos de três diferentes fontes, cada um relacionando o Papa e a Democracia. O Primeiro é tendencioso por ser de um site de notícias católico (Catholic World News); o segundo é mais imparcial e o terceiro, tendencioso de modo a valorizar o pensamento laico.
Eu sinto que religião não é só aquele conjunto de dogmas, mitologia e fé, com sede central, líder e seguidores. Sinto que religião, é, primariamente, o conjunto de dogmas pessoas que criam um padrão para a vida de cada um: leis próprias, regras particulares para se entender o mundo. Ter uma opinião formada, e, além disso, um fé nessa opinião, é essencial para a base de um indivíduo. A religião de cada um é, para mim, o filtro que usamos para enchergar o mundo.

"Se não for construída sobre uma base ética, a democracia é fadada à erosão, terminando por desaparecer" ;
"Democracia sem valores se converte em totalitarismo" ;
"Mas um outro totalitarismo ameaçaria a humanidade: o "antievangélio" --que se disfarça, segundo o papa, de democracia."

Percebi que a escolha das palavras muda muito a visão que se tem de uma pessoa, ou, no caso, de uma instituição personificada, o Papa. Enquanto as duas primeiras notícias dão vasão à mensagem - bastante óbvia, para mim, mas que dita pelo Papa soa como sermão patriarcal - a terceira converte as idéias a um nível sensacionalista e de radicalismo religioso. Para onde foi a mensagem?

O Papa não fala só aos católicos, fala ao mundo. Ele sabe muito bem que o mundo é bem mais amplo que o mundo católico, diferente de seus antecessores. Mesmo assim, a posição de pontícife não permite uma grande flexibilidade de idéias. Os dogmas da igreja batem de frente com os temas controversos atuais. Mesmo assim, os mesmos dogmas reconhecem a fraqueza do homem e não exigem perfeição - apenas que se saiba o certo e o errado. Diferente da cultura de massa, volúvel e dada a objetivos inatingíveis.

A vida de uma missionária americana vale 50 mil reais; a de um líder sem-terra, 5 mil. A satisfação de se achar sempre certo e acima de outros vale a humilhação de alguém; O amor livre mas sem profundidade e a família a qualquer custo, mesmo que seja o da farsa.

Banalizamos a dicotomia "bem e mal", transformando-a em sinônimo de "nós e eles".

O ser humano pega sua realidade, transforma-a em fôrma, joga-a contra a idéia do 'próximo' : obviamente ela não se encaixa e pedaços ficam de fora. Essas rebarbas são classificadas de "desvios". É seguindo cegamente esses princípios que o 'próximo' vira o 'completamente distante'.